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Cotia,04/02/2026

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Solange Aroeira

O poder silencioso que transforma relações e reconstrói a humanidade

Em um mundo marcado por julgamentos e polarizações, a empatia surge como o elo invisível que une corações, transforma olhares e inspira atitudes

I.A / Solange Aroeira
O poder silencioso que transforma relações e reconstrói a humanidade Por que algumas pessoas possuem nossa empatia e outras não
  • Por que algumas pessoas possuem nossa empatia e outras não? O que nos leva a sermos solidários com alguns temas que permeiam toda a sociedade e outros não? São perguntas que, muitas vezes, a gente se põe a pensar. É óbvio que não conseguimos abarcar todas as situações e todas as demandas sociais na vida. Mas por que tem algumas que são tão pertinentes, tão presentes, que nos atravessam profundamente?

    Em tempos de polarizações e discursos duros, a empatia parece ter se tornado um ato de coragem. É preciso coragem para escutar o outro sem o desejo de vencer, apenas de compreender. Coragem para não julgar o que é diferente, mas tentar entender o que o sustenta.

    A empatia, no fundo, é um exercício de humanidade — e humanidade não se improvisa. Ela se constrói todos os dias, nas pequenas escolhas, nos gestos que não rendem curtidas, nos silêncios que acolhem. Quando aprendemos a enxergar o outro como extensão de nós mesmos, deixamos de olhar o mundo apenas com os olhos e passamos a senti-lo com o coração.

    Empatia e o mundo contemporâneo

    Na sociedade atual, marcada pela hiperconectividade, a empatia ganhou novos contornos. As redes sociais criaram espaços de expressão, mas também de indiferença. Muitas vezes, a dor do outro é consumida como espetáculo, o sofrimento vira dado, e o engajamento é medido por curtidas. Falamos sobre empatia, mas nem sempre a praticamos.

    Por outro lado, novos movimentos sociais e coletivos vêm ressignificando o sentido de empatia como ação política. A empatia se manifesta quando comunidades se organizam para apoiar vítimas de injustiças, quando campanhas de solidariedade se multiplicam diante de crises humanitárias, ou quando grupos marginalizados encontram voz. Ela deixa de ser apenas emoção e se torna consciência.

    A verdadeira empatia, portanto, é transformadora. Exige escuta, presença e disposição para rever privilégios e posições. É uma ponte entre mundos — entre o que somos e o que o outro vive. E talvez seja justamente nesse encontro entre teoria e prática, entre o sentir e o agir, que a humanidade reencontre o seu eixo.

    A empatia não nasce apenas da dor do outro — ela nasce também do reconhecimento. Enxergamos no outro algo que, de alguma forma, espelha a nossa própria história, nossas vivências, nossos medos e afetos. É esse espelho que desperta o movimento de se colocar no lugar de alguém, de sentir com o outro e não apenas por ele.

    Na psicologia, a empatia é vista como uma habilidade socioemocional que permite compreender e compartilhar os sentimentos alheios. Sigmund Freud já apontava que compreender o outro é também compreender o inconsciente que nos habita. Mais tarde, Carl Rogers, um dos principais nomes da psicologia humanista, defendeu a empatia como uma das bases da escuta genuína — uma forma de acolher o outro sem julgamento, com abertura e autenticidade. Para Rogers, “ser empático é perceber o mundo interno do outro como se fosse o próprio, mas sem perder a condição de como ser".

    Do ponto de vista sociológico, a empatia ultrapassa o campo individual e se transforma em um fenômeno coletivo. Émile Durkheim via o sentimento social como o cimento que mantém a coesão dos grupos — e a empatia, nesse sentido, é o elo invisível que sustenta a solidariedade. Já Max Weber introduziu o conceito de Verstehen (compreensão), propondo que compreender o comportamento humano exige enxergar o mundo a partir do ponto de vista do outro. É uma empatia metodológica, intelectual e sensível ao mesmo tempo.

    Na antropologia, a empatia é a lente que possibilita compreender culturas e modos de vida diferentes do nosso. Antropólogos como Margaret Mead e Clifford Geertz mostraram que entender o outro exige imersão, convivência e uma escuta simbólica — o que Geertz chamou de “descrição densa”. A empatia, nesse contexto, é o fio que liga o pesquisador ao universo humano que ele observa, sem imposição, mas com curiosidade e respeito.

    Talvez por isso sejamos seletivos na empatia. Ela se manifesta quando o coração se identifica, quando a realidade do outro toca em algo que já habitou em nós, mesmo que de forma silenciosa. E é aí que mora um dos grandes desafios da convivência humana: como sentir empatia também pelo que não nos é familiar? Como ampliar o olhar para além daquilo que nos toca diretamente?

    Referências bibliográficas

    FREUD, Sigmund. Psicologia das Massas e Análise do Eu. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.
    ROGERS, Carl. Tornar-se Pessoa. São Paulo: Martins Fontes, 1997.
    DURKHEIM, Émile. Da Divisão do Trabalho Social. São Paulo: Martins Fontes, 2004.
    WEBER, Max. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. São Paulo: Pioneira, 2001.
    MEAD, Margaret. Adolescência, Sexo e Cultura em Samoa. São Paulo: Editora Perspectiva, 1979.
    GEERTZ, Clifford. A Interpretação das Culturas. Rio de Janeiro: LTC, 2008.
    BAUMAN, Zygmunt. Modernidade Líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.
    GOLDBERG, Jack. Empatia e Relações Humanas. Porto Alegre: Artmed, 2009.

    Escrito por:

    Solange R. Aroeira é psicóloga, pedagoga e Secretária da Mulher, Neurodiversidade e Inclusão Social em Cotia (SP).

    📲 Instagram@solangearoeira


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