Solange Aroeira
Setembro Amarelo: em memória, em prevenção e em ação
Um começo marcado pela dor e pelo compromisso
Relatos fortalecem a luta...Por: Solange R. Aroeira
Relatos fortalecem a luta pela vida e lembram histórias que não podem ser esquecidas.
Um começo marcado pela dor e pelo compromisso
Quando assumimos a Secretaria da Mulher, Neurodiversidade e Inclusão Social de Cotia (SP), nossa primeira ação foi no Janeiro Branco: palestras e capacitações para servidores públicos, trazendo o tema da saúde mental para dentro do governo.
Esse movimento nasceu da dor: o suicídio de uma pessoa querida do nosso convívio. Em sua memória, trouxemos o tema com seriedade e sensibilidade, transformando a tragédia em compromisso coletivo.
Uma história que nos atravessa
Em setembro, mês da prevenção ao suicídio, prestamos homenagem a uma mãe solo, mulher linda, inteligente, empreendedora e atuante socialmente, que partiu cedo demais.
Dias antes, celebrávamos juntos a vitória nas eleições; pouco depois, fomos surpreendidos com sua desistência da vida. Nove meses se passaram, mas a lembrança segue viva — e a missão de falar sobre prevenção torna-se ainda mais urgente.
“Falar de suicídio não é incentivar. É acolher, prevenir e salvar vidas.”
O retrato do Brasil hoje
No Brasil, a realidade é alarmante: 38 pessoas tiram a própria vida todos os dias, segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).
Os índices, que em 2011 eram de 4,9 por 100 mil habitantes, saltaram para 6,4 em 2019, revelando um crescimento preocupante. Mesmo com campanhas de conscientização ao longo dos últimos anos, os números continuam em alta, o que mostra que ainda temos um longo caminho a percorrer na prevenção e no cuidado com a saúde mental.
O Setembro Amarelo nasceu para quebrar o silêncio. Mas especialistas alertam: só a campanha não basta. É preciso rede de apoio estruturada, formação de profissionais e acolhimento comunitário.
Por que precisamos falar sobre isso
Falar sobre suicídio é fundamental, porque quebrar o tabu salva vidas.
Suicídio egoísta – quando a pessoa se sente isolada, sem pertencimento, sem laços afetivos ou comunitários que deem sentido à vida.
Suicídio altruísta – quando o indivíduo abre mão da própria vida em nome de um coletivo, de uma causa ou de uma obrigação social.
Suicídio anômico – ligado a situações de crise, mudanças bruscas ou falta de normas sociais claras, que geram desorientação e desesperança.
Suicídio fatalista – quando a vida é marcada por opressão extrema, falta de liberdade ou excesso de controle, tornando-se insuportável.
Esse olhar nos ajuda a compreender que o sofrimento não nasce no vazio: ele tem relação com a forma como a sociedade se organiza, acolhe ou exclui.
Por isso, no Setembro Amarelo, não basta falar: é preciso agir coletivamente para reduzir o isolamento, oferecer redes de apoio, construir políticas públicas e quebrar o silêncio em torno da saúde mental.
Para isso, é necessário investir em capacitação de toda a rede de servidores, garantindo que saibam reconhecer os sinais de alerta e oferecer o primeiro acolhimento. Também é urgente ampliar o suporte às famílias — em especial às mães solo e às pessoas em situação de sobrecarga — que muitas vezes enfrentam a dor em silêncio.
Além disso, fortalecer a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) do SUS é estratégico para que o cuidado em saúde mental esteja acessível a todos, em todos os territórios.
Homenagem e chamado à ação
Em Cotia, nosso plano de ações inclui a implantação da Casa de Apoio à Mulher, projeto que em breve esperamos ver votado pelo Legislativo e sancionado pelo Executivo.
Essa iniciativa nasce do compromisso de transformar a dor em política pública, oferecendo acolhimento, proteção e suporte para que nenhuma mulher precise enfrentar sozinha os desafios da violência, da sobrecarga e da saúde mental.
Nossas ações incluem:
Rodas de conversa e capacitações contínuas.
Campanhas afetivas que cheguem ao coração da comunidade.
Ações simbólicas que lembram a causa e mobilizam.
Atendimento com psicoeducação.
Escuta e acolhimento sem julgamentos
Mais do que lembrar, falar é importante: é preciso acolher sem julgamentos.
Quando alguém expressa sua dor, muitas vezes não busca respostas prontas, mas sim um espaço de escuta, respeito e cuidado. É nesse gesto que salvamos vidas.
O olhar de Émile Durkheim
Segundo o sociólogo francês Émile Durkheim, o suicídio não pode ser visto apenas como uma decisão individual, mas também como resultado de fatores sociais. Ele identificou quatro tipos principais, já mencionados anteriormente, que ajudam a compreender as diferentes formas pelas quais a dor e a pressão social podem afetar a vida.

Solange R. Aroeira é psicóloga, pedagoga e Secretária da Mulher, Neurodiversidade e Inclusão Social em Cotia (SP).
📲 Instagram: @solangearoeira
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